
Rio Madeira · Manicoré (AM)
Quem vê primeiro mora aqui.
Nas comunidades ribeirinhas, o primeiro sinal de uma doença aparece no quintal, no rio, no animal que adoeceu. O Saúde nas Margens forma moradores como voluntários de vigilância — e faz esse aviso chegar a tempo à equipe de saúde.

O desafio
Quando o posto de saúde fica a horas de barco, cada dia conta.
Manicoré fica a cerca de 350 quilômetros de Manaus, no trecho do meio da BR-319, e tem perto de 230 comunidades espalhadas por um território imenso. A cheia e a seca mudam os caminhos do rio, o sinal de celular é raro, e uma febre, um animal doente ou uma água diferente podem levar semanas para chegar a quem pode agir. Na época das queimadas, o município — no Arco do Fogo — ainda convive com os problemas respiratórios causados pela fumaça.
É nesse intervalo que um surto cresce. O projeto existe para encurtá-lo.
Quem cuida
Gente da própria comunidade, treinada para cuidar da saúde de todos.
Agentes comunitários de saúde, agentes de combate às endemias, professores, equipes da Defesa Civil, profissionais do meio ambiente e lideranças comunitárias: quem vive e trabalha nas comunidades vira os olhos da vigilância. Recebem treinamento, um aplicativo que funciona sem internet e o apoio de uma equipe de saúde que responde a cada alerta.





A ferramenta vai ajudar a conseguir atingir a todas [as comunidades] e poder tomarmos as iniciativas que sejam necessárias de modo mais rápido.
Kedson Monteiro, coordenador da Vigilância em Saúde de Manicoré, ao Fato Amazônico (setembro de 2026)
Uma só saúde
A saúde das pessoas, dos animais e do rio é uma só.
Cerca de 60% dos micro-organismos que causam doenças em pessoas vêm de animais domésticos ou silvestres, segundo a Organização Mundial de Saúde Animal. Por isso o projeto olha para os três lados ao mesmo tempo — a abordagem conhecida como One Health, Uma Só Saúde.

Saúde humana
Diarreia e vômito, problemas respiratórios, feridas na pele, intoxicações, acidentes de trabalho: sinais registrados no momento em que aparecem, sem esperar a próxima visita.

Saúde animal
Agressões por animais, animais doentes ou encontrados mortos, infestações — muitas vezes o primeiro aviso de uma doença que ainda vai chegar às pessoas.

Ambiente
Queimadas, alagamentos, água com cor ou cheiro diferente, peixes mortos: mudanças no rio e na floresta que colocam a comunidade em risco.
Como funciona
Do quintal à equipe de saúde, em quatro passos.

Viu, registrou
O voluntário abre o aplicativo e conta o que viu — numa pessoa, num animal ou no ambiente.

Mesmo sem internet
O registro fica guardado no celular e sobe sozinho quando houver sinal — no porto, na escola, na sede.

A equipe confere
Profissionais de saúde recebem o alerta na plataforma, analisam e confirmam se é um caso.

A resposta chega
Com o caso confirmado, começa a ação: visita, orientação, vacina, análise da água.

O projeto em números
350
quilômetros de Manaus até Manicoré, no trecho do meio da BR-319
230
comunidades no município de Manicoré
44
profissionais na primeira oficina, em julho de 2026
4
secretarias municipais trabalhando juntas: Saúde, Educação, Meio Ambiente e Defesa Civil
Fontes: Fato Amazônico e Rádio Rio Mar, setembro de 2026.

Onde estamos
Do Rio Negro ao Rio Madeira.
Onde começou · o piloto, 2025
Santa Maria e Nossa Senhora de Fátima
No Baixo Rio Negro, na zona rural de Manaus, e em mais dez localidades do entorno. Foi ali, com a Secretaria Municipal de Saúde de Manaus e o Distrito de Saúde Rural, que o método nasceu e foi posto à prova.
139 alertas registrados no piloto
Onde estamos agora · 2026
Manicoré, no Rio Madeira
No trecho do meio da BR-319, com comunidades espalhadas por um território imenso. Aqui o modelo ganha escala municipal: as secretarias de Saúde, Educação, Meio Ambiente e Defesa Civil trabalham juntas.
7 equipes de Saúde da Família no município — 6 ribeirinhas e 1 fluvial
Quem faz
Ciência, SUS e comunidade trabalhando juntos.
O Saúde nas Margens é coordenado pelo Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia). O piloto, no Baixo Rio Negro, foi feito com a Secretaria Municipal de Saúde de Manaus e o Distrito de Saúde Rural. Em Manicoré, o projeto trabalha com a Prefeitura, integrando as secretarias de Saúde, Educação, Meio Ambiente e Defesa Civil. O projeto tem apoio do Programa Inova Fiocruz – Emergências em Saúde Pública.
Nos últimos dez anos, estamos sofrendo ameaças de doenças emergentes, como Zika, Chikungunya, Febre amarela, SARS-CoV-2, Mpox, esporotricose, dengue e, mais recentemente, a febre oropouche.
Pritesh Lalwani, pesquisador em Saúde Pública da Fiocruz Amazônia e coordenador do projeto, ao Fato Amazônico (setembro de 2026)

Na imprensa
O que estão dizendo sobre o projeto
Rádio Rio Mar · 11 de setembro de 2026
Fiocruz Amazônia amplia vigilância em saúde com participação de comunidades de Manicoré
Agência Fiocruz de Notícias · 9 de setembro de 2026
Fiocruz leva projeto com modelo inovador de vigilância participativa ao interior do Amazonas
Fato Amazônico · 9 de setembro de 2026
Amazonas Notícias · 8 de setembro de 2026
Blog do Hiel Levy · 26 de abril de 2025
Notícias
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Fale com a coordenação científica do Saúde nas Margens.
